15 agosto 2007

Ser humano, sem enganos

Cada um de nós tem seus limites. Todos nós vivemos imersos em "campos de crença", porque isso faz parte do "ser" (sein). Ser um idealista é querer transformar o mundo, e todos os idealistas são confrontados pela praxis; o maior desafio da vida é seguir adiante com ideais, planos e projetos para o futuro, senão, não somos mais que ferramentas - e a vida traz consigo a liberdade em trilhar caminhos alternativos à existência que nos é imposta.

Espero que meu leitores não tenham nenhuma ilusão quanto à minha conduta. Sou apenas mais um dos brasileiros que sonha com um futuro melhor. Mas não sou santo; conheço cada uma das minhas várias limitações e lido com cada uma delas com muita energia, para que o meu "eu" não se volte contra os mais fracos e oprimidos. Tenho plena consciência da força dos meus argumentos e da minha vontade de sobreviver - só me questiono: estou inserido numa cadeia alimentar, ou tenho que agir com solidariedade? Se eu tiver que me comportar como um animal competitivo, tenho que ignorar o "outro" (alienação). Se tiver que agir solidariamente, tenho que me comportar com vista a preservar a vida dos mais fracos. Acredito que os mais fracos não têm voz, por isso tento defendê-los. Não é isso que deveríamos fazer? Não temos que lutar por um futuro melhor? Não é preciso um planeta habitável e uma sociedade mais justa?


Não pretendo prever o futuro... não tenho nenhum poder sobrenatural, nem sou capaz de vencer as limitações que o mundo me impõe. Apenas penso num futuro melhor. Penso que isso é o quê cada um de nós deve fazer. Se um dia tivemos liberdade, ela deve nos guiar em direção à vida; uma vida com significado, na qual cada ser coopera para a satisfação do bem comum e não só em função dos seus interesses particulares. Conheço cada uma das maldades do mundo - como você também conhece. Sei que somos co-responsáveis por cada uma das alienações com as quais convivemos, ativa ou passivamente. A diferença que fazemos reside na nossa habilidade em converter o sofrimento em ternura. Saber transformar a dor em tranqüilidade é um dos dons de quem sabe compreender o que vai na alma humana.

A magia da vida reside na aptidão que temos em transformar nossas crenças e vencer nossos limites pessoais. Solucionar os problemas da humanidade passa por vencer nossas limitações e desafiar nossos instintos animais, sem negá-los. Se soubermos ser "bons animais", estaremos em contato com o mundo que nos cerca e poderemos interagir melhor com o ambiente do qual somos parte indispensável. Não é a realidade o grande desafio à psique humana?

4 comentários:

Anônimo disse...

Você é um homem extraordinário! Adorei seu texto. Tens uma sensibilidade pouco encontrada nos homens que conheço.
“Saber transformar a dor em tranqüilidade é um dos dons de quem sabe compreender o que vai na alma humana”.
Você tem o dom de quem sabe compreender o que vai à alma humana porque através do seu texto “minha dor” foi transformada em tranqüilidade.


Julieta

Antônio T. Praxedes disse...

Julieta,
Agradeço a bondade dos teus comentários.
Espero que "nossas dores" nos ajudem a encontrar um caminho melhor.
Um grande abraço,
A.T.P.

A. Lara disse...

Parabéns, que texto lindo! Que bela lição de vida!
Se cada ser tivesse um pouco dessa sua linda sensibilidade, seriamos seres melhorees.

Parabéns mesmoo!!

"Saber transformar a dor em tranqüilidade é um dos dons de quem sabe compreender o que vai na alma humana"

Anônimo disse...

Antonio Praxedes,

Isto é o que mais quero ultimamente... Ando meio desanimada com alguns acontecimentos, mas é a vida!

Abraço para você também.

Julieta

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