Recentemente,
uma polêmica que na verdade não é nova foi reacendida. O presidente da Câmara
dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), trouxe à pauta o
projeto de lei 7.116/2014, que visa extinguir o tradicional exame da Ordem dos
Advogados do Brasil – OAB. A medida teria em vista o combate à burocratização,
ao corporativismo e à corrupção que, segundo Cunha, maculam a importante
instituição. A despeito da indignação de “meritocratas”, de um lado, e da
euforia de “mediocratas”, do outro, ninguém parece ter levar realmente a sério
a proposta do deputado, conhecido por seus excessos, de modo que tem
prevalecido a opinião dos próprios juristas acerca do assunto, cujo cerne pode
ser resumido em dois argumentos.
Publicação comunitária e colaborativa. Contém reflexões críticas e análises de discursos científicos e políticos relativos à Democracia participativa para o século XXI. Congrega professores universitários de várias instituições de ensino superior, nas áreas de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas.
22 junho 2015
21 junho 2015
Refutar é preciso. Viver não é preciso
A intolerância como direito humano
Finda a acirradíssima eleição presidencial uma parte do debate público se voltou para a questão das amizades desfeitas no curso da campanha. Geralmente o tom com que se analisou o rompimento de laços afetivos - também parentais e amorosos – no disputado período, foi de inequívoco pesar e mesmo deboche diante do ‘desprezível’ motivo: as paixões políticas. A tão mal afamada dimensão da vida ganhou assim uma boa razão para ser diligentemente atacada.
Chegou-se mesmo, a propósito dos intolerantes amigos, a esgrimir-se a conhecida máxima ‘voltairiana’ segundo a qual ‘posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito que tens de dizê-la’: residiria precisamente nesse ponto o espírito ‘radicalmente’ democrático do qual esses ignóbeis brigões estariam também radicalmente alienados.
20 junho 2015
Marginalização e o exercício da liberdade sexual
O debate relacionado com a questão da hermenêutica jurídica na obra de Peter Häberle leva a reflexionar sobre os elementos consubstanciados na nossa Carta Maior, relacionados com o conceito de sociedade aberta. Essa teoria jurídico-política parte do pressuposto de que o Estado reconhece plena legitimidade ao debate político, possuindo normas jurídicas que instituem liberdades civis e políticas, num contexto social democrático. Essas normas possuem a eficácia necessária para a participação dos cidadãos na gestão da coisa pública, por meio do acesso às informações institucionais e às instituições estatais.
(Foto: Luis Macedo / Agência Câmara)
19 junho 2015
Seriedade para mudar
Os detalhes são reveladores. Quando seres humanos são obrigados a tomar decisões muito graves, como, por exemplo, declarar guerra a outros agrupamentos humanos, estas decisões ganham caráter solene, marcial, afinal, estadistas não declaram guerra sorrindo, festejando despudoradamente sobre eventos que são graves, que respondem negatividade com negatividade.
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18 junho 2015
Amor em tempos de intolerância: a luta entre os credos no Brasil
No último domingo (14/06/2015), uma menina de 11 anos de idade foi apedrejada na cabeça por um grupo de sectários religiosos, quando saía de um culto afro-brasileiro (Candomblé), na cidade do Rio de Janeiro. Essa tragédia levanta sérios questionamentos sobre a atual conjuntura política brasileira. Afinal, a mensagem cristã não é de compreensão, perdão e fraternidade? Para onde foi o significado da lição "deixai vir a mim as crianças"? E, contrariando o senso comum (que estipula que religião não se discute), não seria necessário colocar as formas de expressão religiosa em debate?
(Fonte da foto: O Globo)
12 junho 2015
A Lua, o Lar e a Cidade: ensaio sobre os espaços humanos
As noites de junho em Fortaleza podem ser bem românticas. O calor da cidade é abrandado pela brisa leve, que corre desde a praia rumo ao interior. Isso, por si só, já é grande vantagem, numa região que só tem dois tipos de clima: quente e muito quente. O céu, quase sempre limpo, ostenta a lua dos namorados e das serenatas solitárias, enquanto a urbanidade descansa da vida caótica do trânsito e do trabalho extenuante da "corrida de ratos".
24 maio 2015
O Mercado e teoria do Direito: "Por um punhado de dólares"
A intenção deste artigo de opinião é discutir como as regras de mercado têm exercido uma influência negativa na interpretação (a priori, limitada) dos fundamentos do Direito. Trabalharemos com a noção de que o Mercado é uma instância de Poder e que, visando a acumulação ilimitada de riquezas, possui regras de funcionamento sistêmico próprias. Ainda, como premissa, admitimos que algumas dessas regras podem ser convertidas em regras jurídicas, com o objetivo de garantir o equilíbrio das relações econômicas. Mas também aceitamos como válido o fato de que esse âmbito economicista muitas vezes exige o falseamento e a modificação de regras pertencentes a outras instâncias, como as referentes à Polítca e à Moral - numa relação intersistêmica pertinente ao variado campo da Ética, do qual também faz parte o Direito.
10 dezembro 2014
Misoginia e o significado das palavras
"Bom dia, amor. Posso te estuprar hoje?"
É com essa frase que se pode começar uma investigação sobre a misoginia contida nas recentes declarações do Deputado Federal Jair Bolsonaro. Essa provocação inicial é necessária, pois, ao que tudo indica, os estudos de gênero que são desenvolvidos pelos renomados centros de pesquisa em Ciências Sociais europeus e norte-americanos não atingiram a inserção necessária no meio acadêmico brasileiro, com raras exceções. Portanto, uma provocação prévia é necessária, para que se possa traçar um molde genérico sobre o tema e despertar um debate atento a detalhes normalmente silenciados.
Vídeo: História dos Direitos Humanos
Uma breve ilustração da história dos direitos humanos, muito didática e útil para a formação de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Boas Festas!
Agradecimentos à Senhora Doutora Profa. Ana Paula Pinto Lourenço (UAL - Universidade Autónoma de Lisboa), por ter compartilhado essa importante ferramenta pedagógica.
O Político e o Professor
Desde as eleições recentes (outubro de
2014), as redes sociais têm sido espaço para a verborreia do ódio e do
descontrole, intercalado apenas pelo bom senso de poucos, que tentam
contemporizar e trazer à tona a racionalidade e a cidadania, necessários ao desenvolvimento
pleno da Democracia brasileira. Porém, a Internet tem sido apenas o palco, onde
os personagens multiplicadores desses sentimentos vis e antidemocráticos
funcionam como fantoches de forças e grupos com intensões bem claras, e
objetivos políticos concretos.
Para compreender o "estado da Nação",
é preciso que se reconheça que os ânimos se acirraram, principalmente após a
vitória apertada da atual Presidente da República - legitimamente eleita
mediante pleito eleitoral, por escrutínio secreto e universal. Depois de encerradas as
eleições, ao contrário do que se poderia imaginar - com a reorganização das
forças políticas em torno de questões relevantes e urgentes para o País -,
alguns setores da oposição têm utilizado das funções do Estado brasileiro para
clamar por impeachment - sem que tenha havido, até o
momento, a abertura de qualquer procedimento inquisitivo nos moldes do devido
processo legal - e golpe
militar - sem que se precise dizer que, além de estarem obrigados a respeitar o Estado Democrático de Direito (art. 142 da Constituição Federal), como grupo de cidadãos, os representantes dos altos escalões das Forças Armadas já firmaram posição de respeito à Democracia,
em que pese à dissidência interna (e velada) sobre o tema...
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