Os
eventos de mobilização de massas no Brasil estão a nos cobrar uma
reflexão mais exaustiva, fugindo dos impressionismos e das abordagens
unilaterais. A Academia - não a dos músculos brandidos pelos policiais e
agentes provocadores - precisa se deter nas expressões contraditórias
que se aninham no bojo das manifestações de massa que tem ocorrido.
Publicação comunitária e colaborativa. Contém reflexões críticas e análises de discursos científicos e políticos relativos à Democracia participativa para o século XXI. Congrega professores universitários de várias instituições de ensino superior, nas áreas de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas.
20 junho 2013
O "Gigante acorda": acordou para o que?
Nas últimas duas semanas, temos assistido a um fenômeno bastante interessante no Brasil: insurgências em diversas capitais brasileiras, que colocaram o povo na rua, contra os interesses dos governos de Estados e municípios. Houve também repercussão nacional, quando a Presidente da República, senhora Dilma Rousseff foi vaiada no jogo de abertura da Copa das Confederações. Some-se a isso a manifestação inaugural, na cidade de São Paulo, que desencadeou o processo, exatamente no centro da força econômico-financeira do País.
Mas existe um movimento político organizado? Onde foram organizadas essas manifestações? As informações passadas pelas empresas de comunicação privadas estão sendo manipuladas contra os manifestantes?
A primeira informação relevante acerca das manifestações é que a maioria é composta por donas de casa, trabalhadores da iniciativa privada, funcionários públicos, desempregados, estudantes e professores universitários. É uma massa disforme, não organizada de pessoas que, movidas por vários interesses, convergiram para formar uma multidão de indignados com os mesmos desafios de sempre: inflação, desemprego, corrupção, ineficiência do Estado diante das políticas públicas relativas à saúde, transportes, educação, infraestrutura dentre várias outras.
Mas existe um movimento político organizado? Onde foram organizadas essas manifestações? As informações passadas pelas empresas de comunicação privadas estão sendo manipuladas contra os manifestantes?
A primeira informação relevante acerca das manifestações é que a maioria é composta por donas de casa, trabalhadores da iniciativa privada, funcionários públicos, desempregados, estudantes e professores universitários. É uma massa disforme, não organizada de pessoas que, movidas por vários interesses, convergiram para formar uma multidão de indignados com os mesmos desafios de sempre: inflação, desemprego, corrupção, ineficiência do Estado diante das políticas públicas relativas à saúde, transportes, educação, infraestrutura dentre várias outras.
Marcadores:
cidadania,
comunicação social,
Constituição,
democracia,
direitos fundamentais,
mídia e informação,
ordem social,
reforma social,
violência
22 fevereiro 2013
Direito e Força
O pensamento analítico ocidental define força como tudo aquilo que possa mudar o estado no qual se encontra um objeto. Para isso, foram formuladas duas classificações na Física, que podem ajudar o jurista a compreender o conceito de força. A primeira, é a força de campo: uma força que age à distância, e provoca uma alteração no estado inicial de um corpo. A segunda, é a força de contato: que necessita de dois objetos em contato, para que possa haver a transferência de energia capaz de alterar o status corporis, pelo contato da matéria.
16 janeiro 2013
Libertarianismo: deturpação do conceito de emancipação social
- AS TESES DISCUTIDAS
O libertarianismo é uma corrente de pensamento que defende a destituição da figura do Estado, que seria substituído por um não-regime de auto-governo (self-government), através de unidades locais de organização social. Em sua gênese, apropria-se de alguns aspectos da teoria anarquista do século XIX, mas diverge quanto aos critérios de emancipação social porque não propõe uma ruptura com os sistemas de produção e apropriação da riqueza social - a despeito de propugnar a eliminação da figura do Estado. Seus teóricos (os economistas Ludwig von Mises e Milton Friedman são os grandes expoentes) partem da concepção norte-americana de federação e propugnam o desmembramento e fim do Estado de uma maneira genérica ou global.
02 dezembro 2012
O "Mensalão" e o "jus esperniandi"
Um dos assuntos políticos mais polêmicos da atualidade orbita em torno do julgamento da Ação Penal nº 470, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). É um caso interessante, pois ressalta a competência do STF, para o julgamento de crimes comuns e de responsabilidade que sejam cometidos por ministros de Estado, conforme disposto no art. 102 da Constituição Federal. O debate gira em torno de um comprometimento político do julgamento, o que teria afetado a jurisdicidade do processo.
31 agosto 2012
Novas considerações sobre o STF e a crise institucional brasileira
Há poucos anos, o Procurador do Trabalho Francisco Gérson Marques de Lima, meu professor na Universidade Federal do Ceará, coordenador e amigo, lançou o livro "O Supremo Tribunal Federal na crise institucional brasileira". É uma obra de Sociologia Constitucional ímpar, lançando tema inédito na produção jurídica nacional, merecendo as melhores críticas e resenhas nacionais e internacionais. É a partir de sua leitura que escrevo as linhas infra, rendendo meus melhores cumprimentos ao dileto mestre alencarino.
20 julho 2012
O Fortal: agimos como se não soubéssemos!
Depois da insistência (agradável) de amigos -- que apenas surtiu efeito após a insinuação de que estaria sendo preconceituoso --, decidi ir em grupo para a micareta que se realiza aqui em Fortaleza, no mês de Julho. Bem, é isso que os amigos fazem: nos colocam em situações "diferentes".
Isso significa que, ao contrário de todo o bom senso -- e até de uma ou duas conversas sobre o "não ir" --, pensei que o episódio poderia me servir de alguma coisa: se não conseguisse ficar "feliz" ali dentro, iria aproveitar a ocasião para fazer aquilo que gera o desprezo/desespero de quem me conhece: analisar criticamente o comportamento de quem estava lá, e do "espetáculo" como um todo.
18 julho 2012
Vivemos num mundo normatizado
A primeira lição que um jovem estudante de Direito deve entender, quando ingressa no curso, é aquela que nos explica estarmos todos inseridos num mundo de normas. A normatividade exerce a primorosa função de conter os ímpetos, os instintos e os desejos da Sociedade, simplesmente porque pressupõe uma organização prévia à inserção do indivíduo na teia. A causalidade, quer dizer, a simples busca pela origem desse padrão pode ser alcançada através da compreensão do papel das famílias, pois esse parece ser o berço de onde surgiu a padronização de condutas e comportamentos.
10 julho 2012
Democracia brasileira: verde por fora, podre por dentro
Numa de minhas recentes conversas com a professora de filosofia Sandra Helena Sousa, conversávamos sobre o sucesso dos Torneios Erísticos, organizados a nível de graduação, na modalidade "curso de extensão", para os alunos da Universidade de Fortaleza. Estávamos avaliando os resultados, que julgávamos positivos, sobre a participação e engajamento dos alunos, não apenas pelos temas em si (adoção de filhos por casais homoafetivos e aborto de fetos anencéfalos), mas pelo motivo que me faz escrever agora: a Sociedade brasileira está se preparando para os grandes debates. Esse preparo tem tudo a ver com a Democracia.
01 julho 2012
A cultura no Ceará (?): inauguração do Centro de Eventos de Fortaleza
É surpreendente a capacidade que têm gestores cearenses de cometer os maiores deslizes na administração local e regional. A inauguração do Centro de Eventos de Fortaleza (CEF), ontem, foi o maior exemplo da falta de compromisso do Governo do Estado com o cidadão, através da promoção do show de Ivete Sangalo e de Jennifer Lopez. O "evento" foi o mais claro ato de comédia - gênero dramático que faz o público rir, diante do escárnio às vicissitudes do cotidiano e das debilidades humanas.
Assinar:
Postagens (Atom)
Artigos selecionados
- A Corte Internacional de Direitos Humanos (por Andressa de Sousa e Silva)
- A Efetivação da Legitimidade do Estado Democrático de Direito na Obra de Paulo Bonavides (por Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha)
- A Proteção do Consumidor no Âmbito dos Tratados da União Européia, Nafta e Mercosul (por Paula Santos de Abreu)
- A Soberania dos Estados face a questão da ingerência humanitária no Direito (por Vladimir Chaves Delgado)
- Breves considerações sobre direitos humanos fundamentais e a supranacionalidade (por Vitor Eduardo Tavares de Oliveira)
- Colaboração do Jusnaturalismo para o Surgimento do Fenômeno da Codificação e dos Direitos Universais (por Alceu José Cicco Filho)
- Democracia e Exclusão Social em Face da Globalização (por Friedrich Müller)
- Democracia e República (por Friederich Müller)
- Direito e Economia: Introdução ao Movimento Law And Economics (por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy)
- Direitos Sociais, Econômicos e Culturais: Uma Abordagem Pós-Neo-Clássica (por Marcus Faro de Castro)
- Estado Constitucional Cooperativo: O Futuro do Estado e da Interpretação Constitucional Sob a Ótica da Doutrina de Peter Härbeble (por Christine Oliveira Peter da Silva)
- Idealismo e Realismo: Desafio Constante de Realização das Utopias (por Martonio Mont'Alverne Barreto Lima)
- O Futuro do Estado: a necessidade da Construção de um Conhecimento Transdisciplinar que Promova a Religação de Saberes e a Junção da Teoria e Prática, do Local e do Global na Construção de uma Nova Economia (por José Luiz Quadros de Magalhães)
- O contraponto entre o federalismo brasileiro e norte-americano: uma correlação entre a obra Coronelismo, Enxada e Voto, de Victor Nunes Leal,e a obra Democracia na América, de Alexis de Tocqueville (por Daniel Cavalcante Silva)
- Plebiscito e Referendo: Instrumentos da Democracia Direta - Uma Reflexão Jurídica Sobre a Teoria e Prática de sua Utilização (por Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha)
- Soberania e Supranacionalidade (por Rândala Nogueira)